Manaus/AM — O Amazonas encerrou o primeiro trimestre de 2026 com crescimento de 2,87% no Produto Interno Bruto (PIB) em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) . No período, a economia estadual movimentou R$ 47,5 bilhões . O resultado confirma uma reação positiva da economia amazonense, com alta registrada em todos os principais setores: serviços, indústria e agropecuária . Mas, por trás dos números, fica uma pergunta que interessa diretamente à população: esse crescimento está se transformando em mais emprego, renda e melhoria real na vida dos amazonenses? Em valores correntes, sem descontar a inflação, o crescimento foi de 7,13% . O setor de serviços foi o principal destaque, com alta de 7,09% e movimentação de R$ 22 bilhões nos três primeiros meses do ano. A área tem peso direto no cotidiano da população, pois envolve comércio, transporte, alimentação, turismo, atividades administrativas e diversos serviços urbanos. A indústria também apresentou avanço no período, movimentando R$ 16,1 bilhões , com crescimento de 7,01% em relação ao primeiro trimestre de 2025. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo Polo Industrial de Manaus , com destaque para o setor de duas rodas, que inclui a fabricação de motocicletas e bicicletas. Apesar do resultado positivo no PIB industrial, os dados mostram um sinal de alerta . Conforme a Pesquisa Industrial Mensal do IBGE , a indústria amazonense cresceu 4,68% na comparação entre o primeiro trimestre de 2026 e o último trimestre de 2025. Porém, quando a comparação é feita entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026, houve queda de 3,17% na produção industrial. Esse contraste indica que o avanço econômico precisa ser analisado com cautela. O crescimento em valores movimentados nem sempre significa aumento na produção física, expansão de postos de trabalho ou ganho direto para o trabalhador. Por isso, o desempenho do Polo Industrial segue sendo estratégico, mas também exige atenção sobre competitividade, incentivos, logística e diversificação econômica . Entre os segmentos industriais, a fabricação de equipamentos de transporte teve destaque, com crescimento de 11,69% em relação ao primeiro trimestre do ano passado e alta de 15,39% frente aos últimos três meses de 2025. O setor de duas rodas segue como uma das principais forças da economia local. Na agropecuária , o Amazonas também registrou crescimento. O setor movimentou R$ 2,06 bilhões no primeiro trimestre de 2026, com alta de 5,07% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre os produtos que puxaram o resultado estão o cacau , com aumento de 13,81% na produção, o café canephora , com alta de 9,6% , e o tomate , que cresceu 2,61% . O avanço da agropecuária chama atenção para uma oportunidade importante: reduzir a dependência econômica do estado em relação ao Polo Industrial de Manaus e fortalecer cadeias produtivas no interior. Para isso, no entanto, é necessário ampliar infraestrutura, assistência técnica, escoamento da produção, crédito e acesso a mercados . O crescimento do PIB é uma notícia positiva para o Amazonas, mas também impõe responsabilidade ao poder público e ao setor produtivo. Mais do que comemorar números, é preciso mostrar como esse avanço pode chegar à população em forma de emprego formal, renda, qualificação profissional, fortalecimento do interior e melhoria nos serviços . Em um estado marcado por desigualdades entre capital e interior, o desafio não é apenas crescer. É crescer de forma mais equilibrada, sustentável e capaz de fazer a economia aparecer também na mesa do trabalhador.