A disputa entre a Prefeitura de Manaus e a Águas de Manaus ganhou um novo capítulo neste fim de semana. Um dia após o prefeito Renato Junior flagrar equipes trabalhando em uma frente de obra que deveria estar embargada, a concessionária afirmou que cumpriu a determinação do município e classificou o episódio como um caso isolado. Em nota divulgada neste sábado (27), a empresa informou que suspendeu todas as intervenções que envolvem abertura de pavimentos na capital. Segundo a concessionária, o serviço registrado no conjunto Jardim Versalles teria ocorrido na quarta-feira (24) e foi interrompido assim que identificado. A Águas de Manaus afirmou ainda que a via foi recapeada no mesmo dia. A manifestação ocorre em meio ao aumento da pressão pública sobre ruas abertas, buracos, obras inacabadas e transtornos provocados por intervenções ligadas a serviços de esgoto e manutenções emergenciais. Na tentativa de responder às cobranças, a concessionária também informou que mantém um mutirão de recomposição asfáltica em diferentes bairros de Manaus. De acordo com a empresa, cerca de 130 toneladas de asfalto serão aplicadas diariamente para recuperar vias afetadas pelas obras. A resposta veio após Renato Junior interromper o próprio trajeto, na sexta-feira (26), para cobrar explicações diretamente do diretor-presidente da concessionária durante uma videochamada. O prefeito afirmou que havia determinado a suspensão da abertura de novos buracos e acusou a empresa de desrespeitar a decisão municipal. “Semana passada eu proibi a abertura de novos buracos. Eu estou autuando multa, de todas as formas a gente está multando a concessionária, que não respeita o povo de Manaus”, declarou Renato Junior. O episódio ampliou o desgaste entre a Prefeitura e a empresa responsável pelos serviços de saneamento na capital. Para a população, o problema é sentido na prática: ruas interditadas, trânsito complicado, poeira, lama, buracos e trechos recém-recuperados que voltam a ser cortados. A concessionária sustenta que realiza serviços necessários para ampliação e manutenção do sistema de esgotamento sanitário. Por outro lado, a Prefeitura cobra planejamento, respeito aos embargos, recomposição adequada das vias e redução dos impactos para moradores e comerciantes. O embate agora deixa de ser apenas técnico e passa a ter peso político. Renato Junior tenta marcar posição com uma postura mais dura diante de uma reclamação antiga dos manauaras: a sensação de que a cidade é aberta repetidas vezes sem que a recuperação acompanhe o mesmo ritmo. A discussão também levanta uma questão central: como conciliar obras essenciais de saneamento com a preservação da malha viária e o respeito à rotina da população? Manaus precisa avançar em infraestrutura, mas o cidadão também exige que ruas, avenidas e bairros não fiquem permanentemente prejudicados. Entre os pontos que ainda precisam de esclarecimento estão quais obras seguem suspensas, quais intervenções podem continuar por caráter emergencial, como será fiscalizado o cumprimento do embargo e quais bairros serão priorizados no mutirão de recomposição asfáltica. A reportagem deixa espaço aberto para novas manifestações da Prefeitura de Manaus, da Águas de Manaus e dos órgãos de fiscalização. Caso haja atualização sobre multas, embargos, obras liberadas ou cronograma de recuperação das vias, a matéria poderá ser atualizada. O caso coloca a Águas de Manaus no centro de uma cobrança direta: se a empresa afirma que vai recompor as ruas e cumprir as determinações do município, a população quer ver o resultado no asfalto, no trânsito e na porta de casa.