A audiência de instrução do Caso Flávio, engenheiro morto em setembro de 2019, em Manaus, foi adiada pela quarta vez nesta terça-feira (28). A família chorou ao receber a notícia, pois o novo adiamento acontece às vésperas de completar dois anos do assassinato . O juiz Celso Souza de Paula informou que a audiência, que deveria ser retomada nesta terça e quarta, foi adiada para os dias 25 e 26 de outubro . Em toda e qualquer audiência, a família do engenheiro se faz presente e acompanha ao lado de fora do local do tribunal, com blusas estampadas com fotos de Flávio Rodrigues. Dentro do fórum, eles são representados pelas advogadas que, inclusive, eram amigas do engenheiro. Ao saber da notícia, familiares choraram ao lado de fora e ficaram indignados com o adiamento da audiência. O início da fase de audiência de instrução estava marcado para novembro de 2020, mas foi adiado para dezembro. A audiência foi adiada de novo e ficou para julho deste ano. A audiência enfim teve início e foi realizada durante três dias, até ser suspensa para o início de setembro. Porém, foi adiada para esta terça e quarta (28 e 29), e, agora, adiada mais uma vez, para o final de outubro. Segundo o Juízo da 1ª Vara do Tribunal do Júri, a unidade recebeu decisão do Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que informava a necessidade de suspender as audiências até que fossem sanadas todas as pendências processuais. O juiz Celso Souza de Paula contou que tentam dar celeridade no caso, mas infelizmente disse que enfrentam algumas barreiras motivadas pela defesa dos acusados. "Estão fazendo com que o processo tenha um certo atraso. Hoje estava marcada essa audiência que comunicamos ao STF que, na nossa concepção, todos os pedidos feitos pelos advogados de defesa já tinham sido supridos. Estávamos aguardando uma resposta do ministro para liberar a realização da audiência já que ele deu uma decisão suspendendo essas audiências", explicou. O juiz disse que não tiveram a resposta do ministro Gilmar Mendes e, por isso, a audiência continua suspensa. O g1 conversou na manhã desta terça-feira (28) com a defesa do lutador Maic Parede, um dos réus do caso sobre essa situação do STF. "O Ministério Público, por mais de um ano, segurou documentos impedindo o acesso da defesa, e por conta disso, foi reformulada uma reclamação constitucional perante ao STF para que a defesa pudesse ter acesso a todos os documentos de prova, que é um direito de todo e qualquer acusado constitucionalmente assegurado", explicou o advogado Josemar Berçot. O juiz ressaltou que recebeu a decisão do STF e encaminhou ofício ao ministro informando que todas as peças solicitadas pela defesa do réus estão nos autos, e não há mais a necessidade da suspensão da audiência. "Não sei se audiência teve tempo suficiente para analisar, estudar todas essas peças", contou o juiz. Para esta terça-feira (28), estava previsto o depoimento de oito testemunhas de defesa, que restam ser ouvidas, bem como o interrogatório dos réus Alejandro Molina Valeiko, José Edvandro Martins de Souza Júnior; Mayc Vinícius Parede e Paola Molina Valeiko. Fonte: G1