A Polícia Federal deflagrou, em 16 de setembro, a Operação Dinastia do Lago, que investiga suspeitas de desvios de recursos públicos, fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro na administração de Coari, no interior do Amazonas. Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), o prefeito Adail Pinheiro (Republicanos) foi afastado do cargo. Ao todo, foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão e 12 medidas cautelares em Manaus e Coari. O deputado federal Adail Filho, filho do prefeito afastado, também foi alvo de busca e apreensão. A investigação teve início após a apreensão de aproximadamente R$ 1,25 milhão em espécie no Aeroporto Internacional de Brasília, em maio de 2025. Segundo a PF, os investigadores apuram a possível utilização de empresas formalmente distintas para simular concorrência em processos licitatórios, direcionar contratos públicos e realizar movimentações financeiras consideradas suspeitas. Entre os crimes investigados estão organização criminosa, corrupção, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos e lavagem de dinheiro. A operação também ganhou repercussão no cenário eleitoral porque Adail Pinheiro mantém uma relação política pública com o senador e candidato ao Governo do Amazonas, Omar Aziz (PSD). Em 2025, o prefeito declarou apoio à candidatura de Omar, e os dois participaram posteriormente de agendas públicas em Coari. Omar Aziz, porém, não é apontado como investigado ou alvo da Operação Dinastia do Lago. A Justiça Eleitoral do Amazonas analisou posteriormente um pedido do senador para retirar publicações que mencionavam sua relação política com Adail e decidiu, em caráter liminar, não determinar a remoção dos conteúdos. A decisão destacou que as publicações analisadas não atribuíam a Omar participação nos fatos investigados. As investigações continuam sob responsabilidade das autoridades. O afastamento e as medidas cumpridas pela PF fazem parte da apuração e não representam, por si só, condenação dos investigados.