CPI vota na terça quebra de sigilo de Ricardo Barros e Luis Miranda
A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid do Senado Federal vai votar na próxima terça-feira (6) a quebra dos sigilos telefônico, fiscal, bancário e telemático dos deputados Ricardo Barros (PP-PR) e Luis Miranda (DEM-DF). O objetivo é aprofundar as investigações sobre as suspeitas de irregularidades na compra da Covaxin.
Os requerimentos foram apresentados pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e constam na pauta de votações da CPI da Covid da próxima terça-feira. A pauta foi divulgada neste domingo (4).
O deputado Luis Miranda disse à CPI da Covid que o seu irmão, o servidor público Luis Ricardo Miranda, identificou suspeitas de irregularidades no contrato de aquisição da vacina indiana Covaxin por parte do Ministério da Saúde. Eles foram ao presidente Jair Bolsonaro relatar a suspeita. Miranda afirmou aos senadores que o presidente teria citado o nome de Ricardo Barros ao saber da acusação.
Nos requerimento que pede a quebra de sigilo, o senador Alessandro Vieira afirma que é preciso “averiguar a autenticidade das declarações do Deputado Luis Miranda, verificar se recebeu alguma vantagem ilícita durante o período, examinar se comunicou com os personagens citados”.
O senador também afirma que a quebra de sigilo de Ricardo Barros é “incontornável” por conta das denúncias feitas por Miranda e do relacionamento do deputado com o presidente Jair Bolsonaro e com os servidores do Ministério da Saúde. Barros é líder do governo na Câmara, já foi ministro da Saúde e teria indicado a servidora que deu o aval para a compra da Covaxin. Ele nega.
O depoimento de Ricardo Barros, no entanto, não consta na agenda desta semana da CPI da Covid. A convocação do deputado foi aprovada e ele pediu para ser ouvido “o quanto antes”. A expectativa era que o depoimento ocorresse na quinta-feira (8), mas a CPI vai ouvir a ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações(PNI), Francieli Fantinato, neste dia.
DAVATI
A CPI da Covid também vai votar na próxima terça-feira a quebra dos sigilos telefônico, fiscal, bancário e telemático dos representantes da empresa Davati Medical Supply -Luiz Paulo Dominguetti Pereira e Cristiano Alberto Hossri Carvalho.
Dominguetti disse que o ex-diretor do Departamento de Logística em Saúde da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, pediu propina de US$ 1 por dose para adquirir 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca com a Davati. Ele prestou depoimento à CPI da Covid na quinta-feira (1º), mas deixou os senadores com dúvidas sobre o esquema.
Já Cristiano Alberto Hossri Carvalho seria o principal elo entre a Davati Medical Supply e o Ministério da Saúde. Ele também pode ser convocado a prestar esclarecimentos pela CPI da Covid na terça-feira (6).
ANVISA
Outra convocação que pode ser votada na terça-feira pela CPI da Covid é a do diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres. O depoimento de Barras Torres é solicitado pelo vice-presidente da comissão, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).
No requerimento, Randolfe afirma que Barras Torres teria se queixado ao Ministério da Saúde de estar sendo procurado diretamente pela empresa Precisa, representante do laboratório indiano Bharat Biotech no Brasil, para viabilizar a aprovação da vacina Covaxin. Para o senador, “a manifestação é mais um elemento que reforça as suspeitas de irregularidades sobre a importação da vacina”.
Fonte: Poder 360